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Dessalinização fica mais viável?

Os efeitos danosos da brutal escassez de água dos anos 2014 e 2015 no Sudeste foram dominados na Grande São Paulo por meio de ações emergenciais de engenharia e gestão, uso pioneiro das reservas técnicas do sistema (erroneamente chamadas de volume morto) e o firme apoio da população dos 36 municípios metropolitanos.

O novo desafio é garantir segurança hídrica na região por meio de grandes obras estruturantes, visando o horizonte de 2050. “Mas e quanto ao futuro mais distante, quando um gole de água limpa possa se tornar às vezes um luxo?”, pergunta Claudia Mota, gerente de tratamento de água da Sabesp.

Segundo a especialista da Sabesp, uma das alternativas para as regiões que sofrem com a escassez de água doce é tratar a água salobra e a água do mar. Para torná-las potáveis, ou seja, apropriadas ao consumo humano, é necessário fazer a dessalinização. “A água salobra também apresenta alta concentração de sais e é muito comum nos aquíferos subterrâneos do Nordeste”, diz, acrescentando que no Oriente Médio há grandes exemplos de águas salobras, como o Mar Morto e o Mar Cáspio.

Ela comenta que o processo de dessalinização já foi bem mais caro do que o observado hoje. “Mas à medida que foram sendo desenvolvidas novas tecnologias que permitiram massificação dessa água tratada, os preços foram caindo, chegando hoje em algumas regiões a US$ 1 por metro cúbico, bastante competitivo”, diz.

No Brasil o mercado da dessalinização ainda é embrionário. Segundo Thiago Forteza, gerente de operações da General Water, existe um único caso de abastecimento público por meio de dessalinização: o da Compesa, companhia pernambucana de saneamento, que utiliza a técnica na ilha de Fernando de Noronha. Em São Paulo, há um caso pioneiro de aproveitamento da água dessalinizada no Brasil. Uma companhia localizada em Bertioga, litoral de São Paulo — a Ocean Par —, desenvolveu um método para dessalinizar a água do mar, torná-la própria para consumo humano e comercializá-la em atrativas garrafinhas. O produto já foi aprovado pela Anvisa.

No entanto, a destinação ambientalmente correta dos rejeitos do processo de dessalinização é um dos desafios enfrentados, isso porque a osmose reversa gera outro tipo de água, muito salina, com risco de contaminação ambiental elevado. E, geralmente, esse rejeito é devolvido ao solo ou até aos cursos d’água.

No Congresso, um projeto de lei foi apresentado em 2009 pelo senador João Vicente Claudino (PTB-PI) para conceder isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a aparelhos de destilação e de osmose inversa usados na dessalinização de água.

Apesar de aprovado pelas Comissões de Meio Ambiente (CMA) e de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), o projeto foi rejeitado na Câmara, onde o parecer da Comissão de Finanças e Tributação considerou-o inadequado financeira e orçamentariamente.

Link Curto: http://bit.ly/2o64OWn

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