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Hidrelétrica no Tapajós pode colocar botos em risco

Um estudo feito com botos no rio Tapajós, no Pará, traz novos argumentos sobre as ameaças aos animais em locais onde existe a previsão de construção de usinas hidrelétricas. Somente na bacia do Tapajós, estão em processo de licenciamento doze empreendimentos hidrelétricos de grande porte.

“Sabemos que os botos são muito afetados pela construção de barragens hidrelétricas. Uma barragem é um obstáculo físico intransponível, mesmo para os botos, exímios nadadores”, explica a líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel.

Segundo ela, o estudo indica que o possível isolamento de subpopulações dos botos tucuxi (Sotalia fluviatilis) e cor-de-rosa (Inia geoffrensis), acima e abaixo dessas barragens – assim como a baixa variabilidade genética resultante destas subpopulações – podem levar a um processo de extinção desses animais no âmbito local. “Um fato como este traria consequências drásticas para todo o sistema do rio. Os botos, por se alimentarem de peixes, estão no topo da cadeia alimentar. Então eles têm o potencial de refletir o que acontece em toda a cadeia trófica”, diz a oceanógrafa Heloíse Pavanato, uma das autoras do estudo.

Para a oceanógrafa, o estudo aponta ainda para a importância de se olhar para a Amazônia não só do ponto de vista da floresta – que cobre a maior parte do território da região -, mas pela biodiversidade que habita os rios, que por sua vez integram um sistema complexo que ajuda a sustentar de pé a floresta tropical.

“É a primeira vez que se se faz um estudo sobre as espécies de uma bacia hidrográfica antes do processo de licenciamento de uma obra de grande porte. Os resultados poderão redirecionar os empreendimentos ou mesmo ajudar a repensar modelos de desenvolvimento para a região amazônica”, afirma Heloíse.

No começo de agosto do ano passado, o Ibama negou a concessão da licença ambiental para a construção da usina de São Luiz do Tapajós, um megaprojeto hidrelétrico previsto para ser executado nos próximos anos. O principal argumento contra a autorização foram os impactos da obra sobre o povo indígena Munduruku, na área que seria atingida pela barragem.

Link Curto: http://bit.ly/2mOzWbE

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