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Conferência do clima teme o efeito Trump

A conferência do clima da ONU deste ano, a CoP-22, acontece em Marrakesh sob a ressaca da eleição de Donald Trump e sua ameaça de retirar os EUA do Acordo de Paris assim que possível. Mas ficar fora desse processo pode ser mau negócio. Em paralelo ao clima deprimido das negociações, o setor de energias renováveis comemora mais um ano de crescimento e preços cada vez mais competitivos.

No World Climate Summit, um evento paralelo que reuniu ontem empresários, estudantes e pesquisadores de energia em Marrakesh, comemorava-se o fato de que, num leilão de energia recente realizado em Abu Dhabi, chegou-se ao lance recorde de 2,42 centavos de dólar por kilowatt-hora para uma usina solar com capacidade de gerar 350 MW no Golfo Pérsico.

“Isso mata o carvão”, disse Adnan Z. Amin, diretor-geral da Internacional Renewable Energy Agency (Irena). “A transição está ocorrendo mais rápido do que todos esperavam. Significa que temos condições de descarbonizar a economia.”

A capacidade de gerar energia eólica, solar e de biomassa bateu recorde em 2015, crescendo 8,3%. O preço dos módulos de energia solar caiu 80% desde o fim de 2009. O de turbinas eólicas caiu quase 1/3 desde 2009. Hoje há 173 países no mundo com metas para energias renováveis. Eram 43 em 2005.

Na China, as energias renováveis (incluindo hidrelétricas) respondiam por 12% da matriz energética total em 2015. Eram 8,3% em 2010. Em 2015, 27% da eletricidade na China veio de fontes renováveis.

A meta chinesa no âmbito do Acordo de Paris é ter 15% de energia de fontes não fósseis em 2020, e 20% em 2030. “Vamos continuar nesse caminho”, disse ao Valor Yanbing Kang, diretor do Centro de Energia em Sustentabilidade da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional da China.

Nos últimos 10 anos, a fatia do carvão na geração de eletricidade nos EUA caiu de 50% pra 30%. “Foi algo sem precedentes, a maior mudança que já vimos no nosso padrão energético”, disse Daniel Kammen, professor de energia da Universidade da Califórnia/Berkley e cientista enviado pelo Departamento de Estado dos EUA.

Na Virginia Ocidental e em Wyoming a transição é do carvão para gás. Na Califórnia, a meta de ter 20% da matriz renovável foi alcançada em 2012. A meta para 2020 é ter 33%. “Já estamos com 27%, vamos chegar lá”, diz Kammen. Para 2030, a meta é 50%.

“A transição do governo Obama ao de Trump será desafiadora, mas no caso da energia será uma pena se retrocedermos”, disse.

Na Europa, o debate sobre renováveis já amadureceu da geração de energia e migrou para aquecimento. “Discutimos se vamos trocar caldeiras ineficientes para sistemas a gás ou se vamos pular direto para renováveis”, disse Marie Donnelly, diretora de Renováveis, Pesquisa e Inovação em Eficiência Energética da Comissão Europeia.

O mundo emite hoje 52 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. O corte nas emissões de gases-estufa tem de ser grande – chegar a 2030 emitindo, no máximo, 42 bilhões de toneladas de CO2 – para que o aquecimento global fique limitado a menos de 2°C. Energia representa 2/3 das emissões globais.

O governo brasileiro também vislumbra oportunidades com a onda criada pelo regime climático. Esta semana lançará, na CoP-22, com outros países, a Plataforma Biofuturo. A ideia é liderar em energia limpa para transportes e processos industriais com biocombustíveis de segunda geração.

*A repórter viajou a Marrakesh a convite do Instituto Clima e Sociedade

Link Curto: http://bit.ly/2gcTGXd

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