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Boletim Ambiental
Reportagem Especial

Agricultura sustentável em assentamento do INCRA em MT

Em julho, o Boletim Ambiental visitou um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Campo Verde, no Estado de Mato Grosso.

O agricultor José Aparecido dos Santos, conhecido como “Seu Zé”, está assentado no local há cerca de 15 anos. Ele, que é do Mato Grosso do Sul, conta que chegou a dormir em uma tenda improvisada de lona no acampamento e enfrentou muitas dificuldades até se estabelecer como produtor de hortaliças hidropônicas (cultivo sem solo, em água).

Cultivo de alface hidropônica

No início, Seu Zé e a esposa, Sandra, cultivavam hortaliças de forma tradicional, no solo. Com o passar do tempo, o filho, que se formou engenheiro, apresentou a novidade da hidroponia. Seu Zé fez cursos sobre o tema e hoje toca a produção de alface hidropônica, que vende para atravessadores com destino às cidades de Cuiabá e Rondonópolis, com cerca de quatro funcionários.

Além de usar muito menos agrotóxicos, Seu Zé garante que o cultivo pela hidroponia lhe rende o dobro de colheitas por ano. O trabalho, porém, é incessante: a água que corre nos canos, onde as mudas se desenvolvem circula por 15 minutos em intervalos de igual período, da hora em que o sol nasce até o final do dia. Qualquer entupimento pode prejudicar a circulação de água e comprometer a produção, pois, em função do calor, a planta pode morrer, caso fique sem água.

O uso intensivo de água, porém, não é prejudicial ao meio ambiente. Ela circula nos canos onde as mudas se desenvolvem corre em circuito fechado, sem desperdício, e recebe adição de nitrogênio, potássio e todos os nutrientes de que a planta necessita e que, normalmente retiraria do solo.

O cultivo é artesanal. Embora Seu Zé explique que no Exterior já exista tecnologia para manipular as mudas por meio de braços robotizados, na sua produção tudo é feito manualmente e as mudas são transplantadas dos canos iniciais para os finais, com maior diâmetro, uma a uma.

Atualmente, Seu Zé está investido na extensão da área de produção para ampliar o cultivo de rúcula, também pela hidroponia. Embora hoje tenha uma vida estável e o negócio esteja indo de vento em poupa, o início não foi fácil. O aporte inicial de R$ 12 mil para aquisição de sementes, preparo do solo e material de construção para a casa, que ergueu com suas mãos, veio do INCRA. Seu Zé, porém, ressalta que o valor recebido não foi suficiente e que precisou de empréstimos adicionais junto aos bancos. Hoje, ele afirma com orgulho ter quitado toda a dívida que contraiu naquela época.

Veja o Vídeo

Como funciona o assentamento pelo INCRA

A Dra. Maria Cecília L de Almeida, professora de direito da Universidade Mackenzie e Procuradora Federal aposentada como chefe da Procuradoria do INCRA/SP, explica que o assentado recebe três linhas de créditos, cujo garantidor é a União Federal: “crédito para sua instalação no lote em que foi assentado; crédito produtivo para investimento na atividade agrária que irá desenvolver e, finalmente, crédito para geração de renda e ampliação da produção, nos termos da Lei 13.001/14 e Decreto 8.256/14.

No entanto, ela ressalta que nada é de graça. Para ficar com a terra, é preciso restituir os créditos recebidos. “Uma vez pagos tais valores no correr dos anos, o assentado recebe o título de proprietário ou de concessão real de uso. O Estatuto da Terra (Lei 4.504/64) prevê essa possibilidade e a opção entre dar o título de propriedade ou a concessão real de uso é realizada pelo governo federal, de acordo com sua política agrária.

Link Curto: http://bit.ly/2apSMR1

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