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Samarco deixa de faturar R$ 22 bi em cinco anos se continuar inativa

Reprodução/Valor

Estudo encomendado pela mineradora anglo-australiana BHP Billiton calculou as perdas relacionadas à continuidade da paralisação da Samarco, controlada em joint venture com a Vale que atua na mineração de ferro. Responsável pela tragédia ambiental ocorrida em Mariana (MG) em novembro do ano passado, a Samarco está, desde então, com suas atividades suspensas.

Assinado por economistas da Tendências Consultoria, o estudo aponta que se não voltar a operar em 2017, a Samarco deixará de faturar R$ 4,4 bilhões. Isso significa, R$ 368 milhões por mês, em média. A empresa atualmente está com seus caixa zerado, segundo afirmou esta semana ao Valor o presidente da mineradora, Roberto Carvalho. A companhia considera a possibilidade de retomada da produção de minério de ferro e de pelotas de ferro – produto que a empresa exporta 100% – no terceiro trimestre de 2017.

Mesmo assim, a Tendências projetou o impacto que a mineradora terá em sua receita se ficar mais cinco anos parada: R$ 21,7 bilhões. No caso de mais dez anos de paralisação, R$ 52,7 bilhões.

Em 2015, quando operou por dez meses e cinco dias – até o desastre ambiental em sua barragem de Fundão, a empresa teve faturamento de R$ 6,48 bilhões, com produção e venda da ordem de 25 milhões de toneladas de pelotas e concentrado de minério. Devido ao problema que levou à paralisação das operações desde então, teve prejuízo de R$ 5,83 bilhões, ante lucro de 2,8 bilhões no ano anterior, conforme balanço da companhia em seu site.

A divulgação do estudo é feita numa semana importante para a mineradora. Na quarta e quinta-feiras serão realizadas audiências públicas em Ouro Preto e Mariana sobre o processo de licenciamento pedido pela Samarco para retomada de suas operações. Ele é parte de uma tentativa dos acionistas de reforçar seu argumento de que a empresa deve voltar logo a operar e que sua inatividade representa perdas não só para a própria Samarco, mas para trabalhadores e para a economia.

Nas duas audiências públicas, o que estará em discussão é o pedido de licença que tramita na Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais. A empresa quer autorização para voltar a operar depositando o rejeito da mineração em uma cava que tem em Mariana. Seria uma alternativa à barragem de Fundão. Além dos danos ambientais, a tragédia deixou 19 mortos. Moradores, promotores públicos e órgãos ambientais sabem dos efeitos econômicos, mas querem saber quão seguro será a volta das operações.

Ao tratar do impacto sobre impostos, a Tendências afirma que ao longo do próximo ano R$ 989 milhões deixarão de ser arrecadados se a Samarco continuar desativada. Uma média de R$ 82,4 milhões por mês. “Esse valor se refere a toda a carga tributária gerada pela Samarco e por suas prestadoras”, disse o economista Eric Brasil, que coordenou o estudo.

Pouco depois da tragédia, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), chegou a dizer que desativação da Samarco provocaria um impacto de 1% a 2% no produto interno bruto do Estado.

A Tendências também informa que 19.183 empregos estão em risco em função da inatividade da mineradora. Desses 5,4 mil são empregos diretos e terceirizados. Os demais, empregos indiretos. Minas Gerais sentiria os maiores efeitos porque dos quase 20 mil postos de trabalho em questão 14,1 mil estão no Estado. Os demais, no Espírito Santo, onde a empresa tem unidades.

No quesito exportações, se não voltar em 2017, a Samarco deixará de vender ao exterior US$ 766 milhões – ou US$ 64 milhões por mês de paralisação. Em cinco anos, as perdas chegariam a US$ 3,7 bilhões e a US$ 9,1 bilhões em dez anos. Seus clientes de pelotas de ferro são concentrados no exterior. Quando estava na ativa, era o segundo maior player global, atrás da Vale e à frente a sueca LKAB.

Link Curto: http://bit.ly/2gETgqP

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