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Linha “verde” é mais farta no Nordeste

Sérgio Leitão: é possível se apoiar em boas experiências, como a dos EUA. Foto Silvia Costanti/Valor

Os plantios de sansão-do-campo, babaçu e carnaúba, entre outras espécies utilizadas para reflorestamento no Nordeste – recuperação de áreas ou plantio comercial – fazem parte de um punhado de opções contempladas pela linha FNE-Verde, do Banco do Nordeste (BNB).

Até setembro, R$ 67 milhões foram concedidos aos produtores da região, que recorreram a esse financiamento – juros entre 7,2% e 8,5% ao ano, e prazo de 12 anos para investir em atividades locais com peso, como caprinocultura, apicultura, fruticultura, entre outros. “É a linha mais importante do banco”, diz Mario Fraga, gerente de meio ambiente. Criada há 20 anos, a FNE-Verde foi implantada com o intuito de permitir a recuperação ambiental da região e projetos para o Semiárido.

Mas agricultores de todo o país não vão ter uma fartura de opções ao bater à porta dos bancos em busca de financiamentos para reflorestar uma área degradada da propriedade ou usar o crédito para a conservação dela. Se ele for da agricultura empresarial, conhecida por suas cifras sempre parrudas, o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono, lançado pelo governo federal em 2010) permite que até 35% do valor financiado sejam aplicados para esse fim. “Mas essa possibilidade é pouco conhecida e o perfil de acesso ao programa é voltado para a produção agrícola”, analisa o economista Ângelo Gurgel, coordenador do Observatório ABC, ligado ao Centro de Estudos de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (GVAgro).

No caso dos pequenos produtores, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com as linhas Florestal, Agroecologia e Eco, com juros de 2,5% ao ano, podem contemplar o reflorestamento (leia mais na página F4).

Pode parecer “luxo” o país se preocupar com reflorestamento diante de tantas dificuldades econômicas pelas quais têm passado. Mas ao fazer bonito em 2015, no Acordo de Paris sobre o clima – cuja meta é a redução das emissões de gases de efeito-estufa -, o Brasil se comprometeu a reflorestar 12 milhões de hectares até 2030, desmatados ao longo das últimas décadas. Mas como fazer e o quanto custa toda a operação são perguntas que apareceram só depois.

O Instituto Escolhas, centro de estudos associado ao Insper, fez a conta da promessa brasileira: ela custa R$ 52 bilhões ou R$ 3,7 bilhões por ano. “Em contrapartida, gera 200 mil empregos diretos e R$ 6,5 bilhões em impostos”, comenta o diretor Sérgio Leitão. Segundo ele, não é impossível cumprir os valores anuais. “Basta se apoiar em boas experiências, como a dos EUA, que recuperaram entre 12 milhões e 15 milhões de hectares de áreas florestais”, afirma. “O que não pode é ficar no limbo diante de tantos outros problemas”, diz.

Especialistas não se cansam de explicar que a restauração florestal está diretamente ligada à atividade agrícola, ao conter a erosão, ser uma estratégia para conectar fragmentos importantes para a biodiversidade ou estar associada à preservação dos recursos hídricos. “Precisamos repetir o mesmo esforço ambicioso que as indústrias de papel e celulose tiveram para o plantio de espécies exóticas, como o eucalipto”, afirma Leitão.

Há dois meses, o instituto lançou a plataforma #Quanto é? Plantar floresta, com a finalidade de auxiliar proprietários rurais a calcular o investimento médio necessário para a recuperação da Reserva Legal e de Áreas de Proteção Permanente (APP). Por meio dela, o produtor poderá fazer uma simulação de gastos a partir de combinações sugeridas para o reflorestamento e com um importante detalhe: a plataforma identifica a possibilidade de obter algum retorno financeiro com a área recuperada. A lei ambiental agora permite a exploração comercial de até 50% da Reserva Legal, com o subsequente plantio.

Link Curto: http://bit.ly/2gsqwQ7

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