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Governo estuda retomar construção de usinas com grandes reservatórios

Romeu Rufino, da Aneel: abandonar modelo de grandes reservatórios exige mais térmicas com forte emissão de CO 2. Foto: Ruy Baron/Valor

O governo resolveu retomar a discussão sobre a construção de hidrelétricas que provocam maiores impactos socioambientais por incluírem a formação de grandes reservatórios de água. Os projetos desse tipo passaram a ser engavetados há mais de dez anos para dar lugar às usinas a fio d’água. Neste caso, são as usinas que geram energia apenas com o fluxo de água natural do rio, sem ocorrer o armazenamento para a produção de eletricidade durante a estiagem.

A nova equipe do governo tornou o ambiente mais propício ao debate sobre os antigos projetos. Ontem, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, defendeu abertamente os benefícios dos empreendimentos com grandes lagos.

Durante evento do setor, Rufino explicou que a contrapartida ao abandono desse modelo é a construção de mais termelétricas com forte emissão de gás carbônico e geração de energia mais cara. Ele admitiu que o “potencial remanescente” dos projetos com reservatórios está nas regiões amazônicas, o que envolve a alagamento de áreas de floresta onde vivem comunidades indígenas.

Rufino costumava defender sua posição de maneira mais reservada. No evento, organizado pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, outras duas autoridades que chegaram com o governo Temer defenderam as usinas com reservatório.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso, e o secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo confirmaram o interesse do governo de resgatar estudos que poderão entrar no Plano Decenal de Energia (PDE), que indica os investimentos do setor para os próximos dez anos. “A gente tem inventário de vários empreendimentos, de vários tamanhos. Desde PCHs e CGHs [pequenas usinas], até os de grande porte chamados estruturadores”.

O presidente da EPE ressaltou que não há decisão tomada sobre qualquer projeto específico com reservatório. “O planejamento é uma coisa, a vida real é outra. Nosso planejamento vai considerar usina com reservatório sim”, frisou. “O desenvolvimento vai ocorrer com muita comunicação com todos os envolvidos, sobretudo com as comunidades indígenas”.

O embate permitiu que a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), saísse do papel depois de mais de 30 anos de sua idealização. O licenciamento só veio após se tornar uma usina a fio d’água, reduzindo a área de alagamento de 1.200 km2 para os atuais 516 km2.

Atualmente, o projeto hidrelétrico mais polêmico é São Luiz do Tapajós, situado no rio Tapajós (PA). Nos últimos meses, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) atestou a inviabilidade do projeto. A construção da usina envolve impacto em região de floresta amazônica quase intocada onde está localizada a terra indígena da etnia munduruku.

Sem entrar diretamente na polêmica, Azevedo, de Minas e Energia, mostra que o governo não desistiu de São Luiz do Tapajós: “A gente quer entender o que motivou o Ibama a apontar o projeto como não viável. Se concordar, a gente vai abandonar o projeto”.

Link Curto: http://bit.ly/2dOcfQo

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